quarta-feira, julho 27, 2005

2º ATENTADO:
A mulher sentada na mesa ao lado da minha come uma torrada e faz questão que toda a gente no café OUÇA que ela come.
Tento concentrar-me no jornal. Mas as letras amolecem, desfazem-se como o pão na boca dela. Que a mulher mastiga e traz cá fora, pendurado na língua. E volta a mastigar, dando uma imagem bem clara, através dos sons, dos movimentos húmidos que a papa faz na sua boca. As minhas mãos começam a ficar molhadas como o pão.
Peço dois pães com manteiga. Aperto o nariz da mulher com a mão esquerda e com a direita enfio-lhe pela boca os pãezinhos, empurrando bem lá para o fundo. Já não mastiga.